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domingo, 2 de setembro de 2007

Valderico e Collor: Eles tem algo em comum.

Pelo Radialista Renê Sampaio – DRT 6319

A história do Presidente Collor, deposto pelo parlamento pode ter se repetido em Ilhéus. Não se sabe ao certo qual a verdadeira versão dos fatos que levaram a cassação do prefeito Valderico Reis, nada de concreto foi levado ao conhecimento da opinião pública, um afastamento prematuro da câmara que o fez retornar ao cargo e posteriormente um afastamento de juízo de primeiro grau, retificado por corte superior.

A verdade é, que tanto um quanto o outro subestimaram o Poder Legislativo, outro importante episódio é o que vive a cidade de Ilhéus no momento que está sendo um desmando administrativo de meter vergonha a qualquer cidadão brasileiro, pelos buracos na cidade, pelo lixo nas avenidas, parques e jardins abandonados, enfim Ilhéus entrou num colapso, ainda mais com a crise política que assolou seus últimos dias.

Todos sabem das forças negativas que persistiam sobre o bem sucedido empresário mineiro Valderico Reis que de última hora derrotou todo um sistema montado na política conservadora da cidade, derrotando os mais renomados e conhecidos políticos, inclusive alguns de profissão. Reis foi uma espécie de fenômeno nacional, igual ao presidente Collor, até na profissão de empresários eles tem algo em comum.

O alagoano Collor foi absolvido pelas instâncias jurídicas e pelo clamor popular que o fez voltar à vida pública após a punição política, nada ficou provado contra o presidente. Ele apenas afetou segmentos da entranhada política conservadorista, abriu o mercado internacional contrariando os interesses da retrogradas empresas locais, mexeu na política paternalista, enfim estava se transformando num monarca.

O Prefeito Valderico Reis terá o direito de provar a sua inocência alegada em juízo, e futuramente diante da opinião pública. Ele nunca foi interessante para as mais diversas facções políticas locais, pelo seu jeito inegociável de formalizar um grupo, o seu tratamento desleal aos amigos e inimigos políticos.

A eleição vitoriosa e a queda de Reis deixou diversas experiências, uma delas é empolgação do povo por novas lideranças que aparecem do nada e de repente cresce como um fenômeno, a outra é a pratica da política conservadorista e paternalista que o sistema exige. O homem políticos que quiser se firmar no poder neste sistema atual tem que ser negociador, muitas vezes esquecendo os interesses coletivos para saciar os interesses pessoais de seus inimigos e aliados políticos.

Talvez Ilhéus não tenha sofrido apenas com Valderico Reis, porém ele foi quem mais contrariou interesses partidários e de afilhados políticos, e isso pode traduzir a sua queda. Na posse de Newton Lima foi visto o puxa-saquismo de parlamentares até limpando o seu paletó, ajeitando o seu cabelo para a foto de posse, membros da imprensa local sentado à cadeira do prefeito, como se prefeito fosse.
(http://www.youtube.com/watch?v=ow8xNgNTbEU)

Caciques da política nacional já praticaram atos que não se assemelham nem um pouco com o de Reis, e simplesmente voltaram ao poder no ano seguinte cercados pelos seus afilhados que não conseguem ficar um minuto sequer fora do poder, só por que davam comida, dinheiro e roupa lavada. Entendemos perfeitamente e respeitamos a opinião do parlamento ilheense, entretanto que a sua posição sirva de experiência e reflexão para futuras cassações, que estão logo ali.

Jornal Tabu de Canavieiras presta homenagens à casais unenses.

O Jornal Tabu de Canavieiras que cobre as principais notícias de região cacaueira, conhecidíssimo pela sua história de sucesso, sempre dirigido pela família Perrucho, sai nesta quinzena destacando notícias importantes da administração municipal, a participação da seleção no intermunicipal/2007 e enfatizando os 25 anos de casamento de Arianinho e Lucien.
Sonho em dose dupla

O impresso aproveitou a oportunidade para realizar o sonho do amigo Osteval, conhecido pelas suas piadas alegóricas, ressaltando o bom atendimento e a qualidade dos produtos fornecidos em seu bar que se situa à Rua Barão do Rio Branco, próximo ao Clube Social. Profº Osteval, sempre teve o sonho de aparecer na manchete de um jornal, agora apareceu ao lado de sua querida esposa D. Sandra Margareth.

Osteval Maciel, que é funcionário da CEPLAC em Una há quase 30 anos, é uma figura história e folclórica no município pelos seus contos e suas milagreiras simpatias. Filho do finado Chico Cearense, que foi um dos homens fortes de D. Almeida, à época dos Coronéis, Osteval se diz o verdadeiro herdeiro da coragem e valentia de seu falecido genitor. Osteval tem 04 filhos, 02 homens e 02 mulheres.

Lei o tabu na integra http://www.tabuonline.com.br/

sábado, 1 de setembro de 2007

Seleção de Una (07 pontos) treina forte,

Para o jogo amanhã na cidade de Ilhéus (03 pontos), a seleção ilheense já está desclassificada não interessando os resultados da rodada, todavia a seleção de Canavieiras (04 pontos) depende do resultado deste jogo e precisa vencer, para continuar sonhando com a classificação para a próxima fase.

A seleção de Santa Luzia (09 pontos) está a dois pontos da classificação definitiva no grupo 11, neste domingo joga em casa contra a seleção de Canavieiras e no próximo encerra a sua participação nesta cidade contra a seleção local. A segunda fase da competição será disputada em grupos formados pelas duas classificadas da primeira fase; o grupo 11 disputará os jogos com as do grupo 09, 10 e 12.

Aos troncos e barrancos a seleção tem apresentado diversas irregularidades em seu aproveitamento nas partidas. Com dificuldade financeira a Liga tem cobrado bastante a participação do comercio local, uma vez que o apoio da Prefeitura não tem sido satisfatório a altura da competição. O comercio está precisando de apoio.

A Prefeitura Municipal de Una tem feito péssimo investimento nos últimos tempos e não resta recurso suficiente para investir em esporte e em outras áreas importantes, inclusive no social. A propósito malmente tem pagado ainda que com atraso, os servidores.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Prefeitura de Una é multada em R$ 50 mil pelo IBAMA por prestar serviços à terceiros


E terá que pagar a multa com recursos do município. O IBAMA multou a entidade pelo fato de um trator que deveria está servindo a comunidade, estar a serviço de terceiros e não se sabe se com objetivo administrativo, político, pessoal ou outro estranho a nosso conhecimento.

Os serviços de escavação para a construção de uma represa e a construção um córrego na fazenda Primavera foi autorizado pelo setor de transportes da Prefeitura Municipal de Una, conforme ordem de serviço expedida pelo departamento.

O IBAMA flagrou a ilegalidade em 27 de abril deste ano às 10h40min, e multou o município no valor equivalente a R$ 50.000 (cinqüenta mil reais), que poderia com esse valor se fazer a aquisição de dois carros populares para servir a comunidade, e evitar o uso excessivo de veículo locados.

O questionamento é que se o ato foi alheio aos princípios da moralidade administrativa o prefeito Zé Pretinho (PT do B) além de responder pelo crime ambiental e pelo ato de improbidade administrativa, deveria também arcar com o prejuízo ao erário público, o que deva ser um valor anódino para o prefeito.


Na legislação brasileira o gestor apenas é o responsável pelo ato de improbidade e pelo crime, que é inclusive considerado de pequeno potencial ofensivo, possibilitando ao infrator prestação de serviço à comunidade ou doação de cestas básicas, todavia a responsabilidade pelo pagamento da multa é de responsabilidade do município (do povo).

Poluição sonora será fiscalizada em Canavieiras

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MPE Editoria Local Data: 31/08/2007 Redator: Elielson Reis (Estagiário de Jornalismo)

Adotar medidas de fiscalização à poluição sonora e de combate à perturbação da paz, ocasionadas por estabelecimentos comerciais e veículos de propaganda no município de Canavieiras (localizado a 596 km de Salvador), é o que prevê o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado, no último dia 27, entre o Ministério Público estadual, representado pela promotora de Justiça Ana Paula Limoeiro Carvalho Macedo e o prefeito da cidade, Zairo Jacques Pinto Loureiro.

Com a assinatura do documento, o gestor municipal se comprometeu em adquirir decibelímetros (equipamentos utilizados para medir altura de som) e dotar o município de infra-estrutura adequada para que possam ser realizadas fiscalizações de forma eficiente. Segundo a promotora de Justiça, “são freqüentes os atos de poluição sonora causados por bares, restaurantes, casas de show e carros de som, o que contraria a Lei Municipal nº 770/2006, que proíbe perturbar o bem-estar e o sossego público”.

De acordo com o TAC, a fiscalização das práticas de poluição sonora será realizada pela secretaria de Finanças do município e os proprietários de estabelecimentos e veículos devem obedecer às normas previstas no Termo, que tem o prazo de 30 dias para ser cumprido, a contar da data de assinatura. Dentre as obrigações a serem cumpridas estão o isolamento acústico de ambientes quando necessário, a restrição de horário de circulação de veículos de propaganda entre 8h e 18h e o cadastro de empresas e autônomos no ISS do município. Os estabelecimentos e os veículos passarão por vistorias e, após verificada a regularidade dos mesmos, serão expedidos os alvarás de permissão para a prestação dos serviços.

A promotora de Justiça ressalta que em caso de descumprimento das obrigações por parte dos donos de estabelecimentos e veículos, “a secretaria de Finanças poderá advertir, apreender aparelhagens e cassar alvarás. Além disso, os proprietários poderão receber multas que variam de R$ 150 a R$ 1,5 mil”. Segundo Ana Paula, “o trabalho busca preservar o direito dos moradores de Canavieiras a um meio ambiente ecologicamente equilibrado”, completou.

Valderico sai sob vaia e xingamentos

O ex-prefeito de Ilhéus, Valderico Reis, cassado na quarta-feira por 12x1 pela Câmara, finalmente deixou o Palácio Paranaguá por volta das 21h20, cercado por assessores armados com pedras, paus e até um revólver.

Do lado de fora, a multidão quase não era contida pelos 100 PMs chamados para manter a ordem. O povo vaiava e xingava Valderico, ameaçando partir para cima do ex-prefeito, que fugiu de carro em alta velocidade.

Valderico Reis disse, à tarde, que não reconhece a decisão da Câmara de Vereadores e não ia sair do Palácio Paranaguá nem entregar as chaves do prédio ao prefeito Newton Lima.

Também à tarde houve um início de tumulto, com a praça J.J. Seabra lotada de pessoas que gritavam "fora Valderico" a todo instante, observada com cuidado pela guarda municipal, de prontidão na porta do palácio.

A polícia militar foi acionada para assegurar que o novo prefeito assuma a administração do município e negociava, sem sucesso, a retirada do ex-prefeito e seu grupo de assessores sem apelar para o uso da força.

Depois de ver que a multidão não arredaria pé da praça e com medo do palácio ser invadido de madrugada, Valderico finalmente deixou o local.

O caso ganhou status nacional saindo no site do colunista mais influente de Brasília, Cláudio Humberto, que acompanhou a movimentação através do jornal A Região. Em três notas, foram incluídas duas fotos de Cristiano Cruz.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Eleições 2008: PP faz a 1ª reunião em Una

O PP reuniu nesta noite (29) na Fazenda Vitória, de propriedade do ex-prefeito Dejair Birschner, com lideranças políticas, vereadores, vice-prefeito, presidente de partido e presidente de associações. A propósito o nome da fazenda é bastante sugestivo a um início de campanha.

A reunião foi para definir metas a serem cumpridas na corrida eleitoral do pleito de 2008, o que possivelmente deva disponibilizar o nome de Dejair para essa disputa, embora Birschner tenha declarado que o candidato será o nome que estiver na liderança das pesquisas eleitorais.

O ex-prefeito que foi o mentor da reunião deve se filiar na sigla partidária no dia 23 de setembro, aproveitou da oportunidade para convidar o assessor de longas caminhadas de Jabes Ribeiro e coordenador de diversas campanhas eleitorais, à coordenar a sua campanha.

Magno (foto) que é um homem sábio e entendedor do sistema político, com fidelidade indiscutível ao ex-prefeito Jabes Ribeiro, será o coordenador da campanha de Dejair, acaso seja o candidato e deverá pautar a campanha nas questões de áudio-visual e marketing virtual.
Na reunião estiveram presentes, além de uma parcela da comunidade, os vereadores Nilton Nogueira da Silva (DEM), Roberval Pereira Pinto (PR) e Antonio Silva dos Santos (PR), o vice-prefeito Davi Cerqueira dos Santos (s/partido) e Roberto Carlos presidente do PC do B.

Prefeito andou meio borocoxô no dia de hoje.

As idas e vindas do prefeito Zé Pretinho (PT do B) a Salvador e a Canavieiras não está fazendo bem a seu humor e a sua integração na base política. O prefeito no dia de hoje (29) quando chegou de Salvador foi direto para Canavieiras e quando retornou ao ser procurado por um secretário, pouca atenção lhes deu.

O secretário que é "macaco velho" em política, já não mais deixa transparecer aquela ar de poderio bélico e de autoritarismo, possivelmente notou o abatimento do chefe e desabafou: “se eu fosse ele esqueceria essa questão de re-eleição e procurava regularizar a folha de pagamento de pessoal”.

Essa maré de denuncias do Ministério Público Estadual e Federal, envovelmedo prefeitos da Bahia com pedido de afastamento, cassação e até prisão, está possivelmente incomodando o prefeito, haja vista que os fatos que implicam os gestores são idênticos aos apurados sobre a Prefeitura de Una.

MPF/BA pede afastamento do prefeito de Eunápolis (BA)

Fonte: Assessoria de Comunicação do MPF Gladys PimentelTelefone: (71) 3336 2026 E-mail: asscom@prba.mpf.gov.br
O Ministério Público Federal (MPF) em Eunápolis, a 644 km de Salvador, pediu à Justiça hoje, 29 de agosto, o afastamento cautelar do atual prefeito do município, José Robério Batista de Oliveira, por prática de improbidade administrativa. O gestor é acusado de aplicar irregularmente verbas do Fundo Municipal de Saúde (FMS) para quitar despesas de combustível de toda a frota dedicada à limpeza e coleta de lixo da cidade, de veículos particulares e até de um caminhão-trator que remove trios elétricos. Além do prefeito, vão responder por improbidade administrativa o diretor do Departamento de Limpeza Pública, João Alves dos Reis; o servidor público Ruy Miranda do Nascimento, o secretário de Comunicação Josemar Marinho Siquara; o funcionário comissionado do município, Ângelo Manuel Ferreira de Oliveira; a empresa GPM - Mercantil Derivados de Petróleo Ltda. (Posto Oásis) e a secretária da empresa Axé & Cia Ltda., Lucieni dos Santos.
O procurador da República Paulo Augusto Guaresqui, autor da ação, informa que apesar de somente a Secretaria de Saúde de Eunápolis possuir contrato de prestação de serviços com o Posto Oásis, em apenas um dia, 8 de agosto de 2006, toda a frota de 15 veículos do Departamento de Limpeza Pública do município foi abastecida nesse posto com recursos do FMS. O desvio de finalidade da verba não parou por aí. Além de veículos de particulares, o cavalo-mecânico (caminhão-trator) pertencente ao funcionário comissionado Ângelo Manuel Ferreira de Oliveira também foi abastecido no Oásis com 800 litros de óleo diesel no valor de 1.605,60 reais, tudo pago com recursos da Saúde municipal.

O curioso, ressalta o procurador, é que o caminhão-trator, dedicado e preparado para remover trios elétricos, era alugado com exclusividade à empresa Axe & Cia, pertencente ao prefeito de Eunápolis. A autorização do abastecimento partiu da secretária da empresa Luciene Santos, quando apenas o secretário de Comunicação ou o responsável pelo setor de transportes deveriam autorizar a liberação da verba. Em depoimento ao MPF, o chefe de transportes da Secretaria de Saúde do Município, Ruy Miranda Nascimento, admitiu que era o único que poderia emitir requisições de abastecimento no Posto Oásis e que não fazia uma análise consistente das notas fiscais. O servidor público afirmou que apenas verificava os valores das notas e não sabia informar o que levou o abastecimento do trio elétrico com recursos públicos.
Por conta dos atos de improbidade administrativa, Guaresqui requer que a Justiça Federal em Eunápolis decrete, liminarmente, o afastamento cautelar do atual gestor do município. Nos pedidos finais, o procurador pede a condenação dos acusados ao ressarcimento integral do dano ao erário, suspensão dos direitos políticos, proibição de contratar com o Poder Público e de receber benefícios ou incentivos fiscais.

Número da Ação de improbidade administrativa para consulta processual: 2007.33.10.000735-3.

Enfim, uma primeira-dama que fala. E muito!

Fonte: jornal Tribuna da Bahia


A entrevista da primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, à revista Metrópole, de propriedade do empresário de comunicação Mário Kertész, repercutiu bastante na sessão da Assembléia Legislativa de ontem. Ela estava descontraída e falou de vários assuntos, inclusive tecendo críticas ao próprio governo do seu marido, governador Jaques Wagner, fato bastante explorado pela oposição. A bancada oposicionista não deixou passar em branco as declarações da primeira-dama à revista, associando as suas críticas às que eles vêm fazendo na Assembléia. “Finalmente apareceu alguém do governo para falar, já que o secretário de Comunicação não fala”, ironizou o deputado Tarcísio Pimenta (DEM). Crítico e irônico como todos os deputados oposicionistas se comportaram em relação ao episódio que dominou a sessão de ontem na Assembléia, Pimenta conseguiu arrancar aplausos quando concluiu a sua fala: “Não estou vendo nada demais. Quando li esta entrevista, vi claramente o rosto do governador Wagner”, declarou. A oposição também se sentiu atingida pela entrevista da primeira-dama, que declarou não existir oposição ao governo estadual. “É preciso perceber que não tem oposição. É uma revoada, todo mundo querendo vir pro lado de cá. É uma falta de vergonha danada”, disse ela, referindo-se aos deputados adesistas. Mesmo que a mensagem tenha sido direcionada a estes parlamentares, o fato de dizer que não havia oposição irritou os oposicionistas verdadeiros. Sobre isso, o deputado Paulo Azi (DEM) rebateu, afirmando: “A oposição não está acabando. Estamos aqui diariamente cumprindo a nossa missão”. Azi também fez críticas e concordou que a entrevista expressa a realidade do governo.(Por Evandro Matos)

Reclamações por “mudanças” repercutiram mais na oposição

Mas o que mais repercutiu entre a bancada oposicionista na entrevista da primeira-dama foi quando ela criticou o próprio governo Wagner pelas mudanças: “Eu digo a Jaques que não pode ficar igual ao presidente, demorando de fazer as mudanças necessárias”. Para o deputado Gildásio Penedo (DEM), líder da minoria na Assembléia, “a entrevista reflete a cara do governo e serve de conforto em relação ao posicionamento da oposição. A entrevista veio corroborar com a oposição, que o governo não tem rumo, já que a própria primeira-dama reconhece a falta de prioridade do governo”. Também nesta linha irônica, o deputado João Carlos Bacelar (PTN) entende que a entrevista revelou “uma sinceridade ingênua. É a verdade”. Para ele, “ela (Fátima Mendonça) apenas reconhece que o governo não tem norte e não tem projeto”. O deputado aludiu também ao trecho da entrevista em que a primeira-dama critica a adesão dos parlamentares ao governo como “uma falta de vergonha danada”, afirmando: “É um direito que ela tem como cidadã”. Em relação às críticas sobre a administração, ele disse que “ela apenas expressou a opinião do governador, pela proximidade que existe entre eles”. A repercussão da matéria entre os oposicionistas foi grande. Mesmo com minoria, eles chamaram a atenção no plenário, com todos bastante afiados e afinados nos ataques ao governo e na concordância irônica com as declarações de Fátima Mendonça. “A Bahia não tem rumo, o governo não tem rumo”, disse o deputado Gildásio Penedo. “A entrevista reflete a realidade do Estado. Se a situação concorda, não somos nós da oposição que vamos discordar”, completou o deputado Sandro Régis (PR).(Por Evandro Matos)

Governistas minimizam

Bastante provocado pelos oposicionistas, o deputado Adolfo Menezes (PTB), referido ali como um dos “adesistas sem vergonha” pela primeira-dama, chegou a usar a tribuna, mas não fez um discurso brilhante para se defender, nem atacar. Com poucas palavras, ele apenas desconver-sou. Já o líder da maioria, deputado Valdenor Pereira (PT), minimizou a polêmica, defendendo a liberdade de expressão da primeira-dama. “Ela é uma figura alegre, descontraí-da, e não mediu os passos das declarações”, disse, na tentativa de explicar os vários pontos da entrevista à revista Metrópole, que circulava pelos quatro cantos da Casa. Valdenor disse ainda que “a oposição está se baseando na entrevista da primeira-dama para desviar dos assuntos. Feliz do governo que tem uma primeira-dama como ela, jovem e descontraída”, completou. Outro que não deu guarida aos discursos oposicionistas foi José Neto (PT). Para ele, “o assunto não merecia ter tanta repercussão”. Já o deputado Leur Lomanto Júnior, líder da bancada peeme-debista na Assembléia, também fez defesa do governo, minimizando os pontos polêmicos da entrevista. (Por Evandro Matos)

Ela falou de quase tudo. E ouviu críticas, também
Leia a síntese da entrevista que a primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, concedeu aos apresentadores da Rádio Metrópole Mário Kertész, Rita Batista e Antônio Risério. Ela falou de quase tudo, ouviu críticas e também criticou o governo do seu marido Jaques Wagner:

Papel de primeira-dama

A política, em todos os sentidos, comanda o mundo. Gosto de política. Agora, política de mandato, não. Eu, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, ir pra rua pedir que votem em mim, porque tenho canela seca, cabelo bom ou falo bonito, não. Não quero, ninguém merece isso. Tenho o maior respeito por doutor Mário (Kertész), por Jaques, por todos que se colocam em julgamento público, mas eu não tenho coragem nem de pedir voto.

Primeira-dama ANTES
Não aparecia, não aparecia. Com Antonio Carlos, não aparecia de jeito nenhum. Com Paulo Souto, eu jantei muitas vezes também, e nunca vi a senhora dele. E a gente tá se acomodando com esse negócio de política compensatória. Não tem um grande projeto de transformação social.

A mulher na política

Não, não. Eu boto os homens todos no bolso (risos). Eu não tenho negócio de feminismo e machismo. Gosto de igualdade, sabe? As mulheres até se zangam porque eu nunca fui muito de movimento. Acho que ser feminista é cuidar da vida, pagar suas contas, não depender de ninguém, ter independência, ter liberdade. Aliás, vi uma palestra de Graça Belov. Ela falando de Confúcio, que loucura. Confúcio era uma miséria (risos). Doutor Mário, Confúcio dizia que a mulher devia ser mantida pelo pai; depois, pelo marido; quando ele morresse, pelos filhos, e se não tivesse filhos, pelo Estado. Ela não podia ganhar um tostão pra não viver só, viu? Medo. Tá vendo, Rita? Oh, Rita, se pronuncie.

Wagner governador

Por isso que acho que tem alguma coisa que ele veio fazer aqui. Vamos esperar, que o jeitão de Jaques, aquele jeito dele, daquela forma que ele é, não é à toa. Acho que, se é uma liderança que vai despontar cada vez mais, espero que as pessoas gostem, porque eu gosto. Gosto desse estilo de ser, sem precisar ter medo: me respeite sem ter medo. Um tem de respeitar o trabalho do outro.

Programas sociais

Acho que tem que dar o Bolsa Família, que o povo tá morrendo de fome, e não é só no interior não, aqui também. Brinco assim: você vai em boca livre e tá tudo lotado. A classe média está achatada. Tenho amigas que não estão conseguindo pagar a escola dos meninos. O Bolsa Família tá certo. Para a pessoa levantar da cama pra pescar, tem que estar com a barriga cheia. Mas, depois de um, dois anos, eu ia ter o maior orgulho de dizer: “Tudo bem, seu presidente, eu não preciso mais, agora tenho um emprego, já aprendi a fazer um ofício”. Isso é que seria bom. E penso também no meu trabalho de planejamento familiar. Se eu fizer esse trabalho e botar o meu Bahia no lugar certo... (risos).

Oposição ao governo

Mas é também, doutor Mário, que não tem uma oposição nisso. É uma revoada, todo mundo querendo agora vir pro lado de cá. É uma falta de vergonha danada.

Autocrítica do governo

O que vocês estão achando do governo? Muitas críticas? A saúde é dose, né?

Rumo do governo

Não sei. Mas isso ele sente bastante. Vocês deviam conversar mais com ele, marcar pra gente conversar. João Santana tem conversado com ele, porque ele próprio está sentindo isso, e isso angustia o cara, rapaz! Agora, acho que vai dar certo. Estou me dedicando exclusivamente a isso. Achei ótimo o que vocês me disseram aqui. E vou dizer a ele. A gente não veio pra brincar não.

Intimidade

Pois é, você tá vendo isso o tempo todo, né? Mas não estou me dando com ninguém que eu não me dava, não tô deixando de fora ninguém que eu tinha dentro. Atendo a todos, mas as pessoas estão mal acostumadas. Chegam e dizem: “Fatinha, eu tô com um projeto legal, maravilhoso”. Querem que eu encaminhe o projeto. Por que não vão pelo caminho normal, pelo caminho certo? Por que não entregam pro secretário, dão entrada no FazCultura? Por que é que sou eu que vou ter que entregar? Vou botar uma cruzinha no projeto, dizendo que foi Fatinha quem mandou e é pra ser aprovado? Deus é que há de me livrar! (risos).

Como conheceu Wagner

Foi na rua, na boemia. No Extudo. Eu tinha terminado meu casamento e tava assim seis meses. Sabe aquela coisa que você não sai de casa? Ficava naquela coisa e Guiga (Guilherme Sodré, ex-marido) também corria por fora, todo fim de semana colava, pra não dar chance. Mas um dia eu me danei e saí com uma amiga minha. Jaques era candidato a deputado federal e tinha o retrato dele no bar, bem ali na minha frente. Eu fiquei olhando e disse: taí, ó, gostei da pessoa. Foi no cartaz. Depois, pessoalmente, rolou também e tal. E aí foi indo e veio o amor.

Sobre ciúme

Tenho. Mas tenho ficado cada dia melhor, acredita? Assediado, como? Mandam bilhete? Mandam recado? Ele não tem tempo e lá em casa ninguém dá folga (risos). Fico, é lógico. Mas sabe o que eu acho? Já pensou se Jaques chega em casa nove da noite e eu estou de cara feia, dizendo “você errou aqui a licitação e tá horrível a situação da saúde”? Você já imaginou isso? Aí era que ele só ia chegar em casa meia-noite, e olhe lá (risos). Ele chega em casa e eu estou sorridente, feliz, realizada. Mas eu acho que eles já fazem isso. Mais que o governador, que fica muito preso a algumas funções. Você ter uma primeira-dama que fale desse jeito! Outro dia, eu fui jantar no palácio – e olhe que já estive jantando lá com uns 30 governadores – e foi, rapaz, o melhor de todos. Porque foi descontraído, tranqüilo, a gente brincou.

Comparação com Evita

Acham que eu pareço com Evita, pelas coisas que falo, que vou ajudar e tal. Vou atender todo mundo. Mas, quando uma amiga chique, socialite, diz: “menina, eu tô te ligando e cê não atende”, digo logo: “eu só estou atendendo os pobres, você ainda não está precisando”. E aí é por isso. Mas nem conheço muito bem a história de Evita. Li um livro sobre ela, e só.

Relação com Wagner

Até adoro uma briga, mas não acho (risos). É difícil brigar com ele. É uma briguinha de vez em quando pra dar uma temperada. Mentira, ele é muito equilibrado. Ele sabe que a gente se adora, se ama. A coisa que mais incomoda ele é alguém pensar que tá passando ele pra trás, com falcatrua. Tentando usar ele pra algum esquema.

No palácio

Não, eu não administro o palácio. A gente faz o que pode. Apaguem a luz, meninos! Desliguem a televisão, sacanas! O dinheiro, aqui, é como na casa de vocês: tem de economizar! E temos economizado bastante. O patrimônio entrou lá, depois de 20 anos, pra fazer todo o inventário. Agora tem plaquinha em tudo. Porque, na hora em que eu passar adiante, podem conferir tudo, pra não dizer que sumiu na minha mão.

Ocupação do tempo

Quando não tem o que fazer, gosto de dormir cedo. Quando tem, não me incomodo de dormir tarde. Gosto de ficar vendo minha televisão-zinha. Agora, tô vendo Blonde, Marylin Monroe. Que loucura a bichinha sofreu. E não gosto de acordar muito cedo.